segunda-feira, 16 de maio de 2011

Texto banido

Margaridas brancas decoravam o ambiente, enquanto mulheres maquiadas andavam de um lado para o outro, usando longos vestidos e salto alto. Os homens vestiam terno e gravata. Na porta da Igreja, um homem,vestindo fraque, recebe cumprimentos de amigos. Os convidados especiais formam uma fila, em pares, mulheres do lado esquerdo, de braços dados com homens, que usam cravos brancos na lapela. Pequenas lanternas no chão enfeitam o longo corredor, juntamente com um tapete vermelho, que será percorrido em breve pelos atores principais do evento. O local está cheio de rostos ansiosos e fofoqueiros, que captam cada detalhe para comentá-los em seguida.

A música tema do filme “O fantasma da Ópera” começa a tocar no órgão, precisamente às 20h30. O homem de fraque e os convidados especiais desfilam no corredor, ao ritmo da música, rumo ao altar. Em seguida, todos os se viram para o fundo da igreja, perto da porta de entrada, aguardando a marcha nupcial e a grande aparição da noite. Quando a música toca, uma mulher entra, vestindo um longo vestido creme, bordado com pequenas pérolas. Ela tem um buquê de flores amarelas na mão esquerda e um enfeite de flor no pulso direito.

O homem de fraque, que a aguarda ansiosamente na beira do altar, demonstra um misto de orgulho e ansiedade, e sorrindo, lembra-se da primeira vez em que a viu. E enquanto a sua noiva caminha graciosamente até ele, com a música “Quando a luz dos olhos meus” de trilha sonora, uma a uma das alegrias vivenciadas até ali saem de sua memória e são trazidas à tona, sendo perceptíveis em seus olhos.

*O título é "texto banido" por ter sido desaprovado na aula de Redação VII, e também, por que, segundo o professor, não é para eu me iludir com casamentos, já que morrerei encalhada.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Lembranças...

Quando a chuva começa, os alunos que esperam na fila do restaurante universitário andam mais rápido e se espremem embaixo da marquise. Alguns chegam correndo, encontram amigos que já estão perto da porta, e furam a fila na cara de pau. Outros negociam passes, que chegam a ser vendidos por dois reais. Vários grupos discutem sobre provas, professores, trabalhos finais. Alguns ainda promovem festas em frente ao local, utilizando música sertaneja no último volume, pessoas bonitas e panfletos. Enquanto isso, o guarda do restaurante, vestido de amarelo, pega, quase com desprezo os passes de almoço, à medida que os alunos se aproximam da entrada.

Após analisar atentamente os talheres e escolher um dos pratos - sempre molhados - e se servirem de arroz, feijão e complemento, os alunos só não ignoram a senhora que trabalha sentada no fim do Buffet por que ela os serve de carne.

Ela não sorri, não deseja bom dia, nem olha para ninguém. Ocupa esta mesma cadeira há cinco anos, e durante as duas horas e meia em que trabalha no restaurante, todos os dias, pensa no fato de ter tido que abandonar os estudos ainda quando criança, e no rumo que sua vida teve.

Aos 40 anos, nunca se casou nem teve filhos, e seu sonho não realizado de virar médica é constantemente relembrado pela convivência diária com os estudantes de Medicina que frequentam o restaurante. Olha com inveja para os jovens que vestem branco. De vez em quando, capta uma conversa sobre aulas de anatomia, estágios no hospital, partos, cirurgias, e até a tradicional festa da Medicina, o Cervejim.

Lembra-se de quando era jovem... como teria carregado, orgulhosamente, a assinatura médica: Dra. Maria de Lourdes. Ah, se tivesse sido Doutora... Hoje, percebe que sua vida é apenas uma sombra do que poderia ter sido, e que ela não deixará herdeiros nem legado.

Assim, após serem servidos de carne e esquecerem até o dia seguinte da existência da senhora do fim do Buffet, que, aparentemente sempre esteve e sempre estará ali, os estudantes disputam as raras mesas vazias do restaurante, e continuam a sua rotina.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Quando uma empresária mata uma princesa

Não. A princesa Kate ainda vive. Hoje falarei da princesa de All Star. Claro que a Princesa de All Star não morreu, mas a nova personalidade, a de Empresária, está condenando ao limbo a pobre princesa, que tem poucos momentos de liberdade na TO DO LIST sem fim, na altamente concorrida agenda de reuniões e no guarda-roupa da empresária, que tem usado pouco all star.

É isso, decidi abrir uma Empresa. Na minha inocência, achei que só iria administrá-la, não vivê-la. Não achei que ia respirá-la, dormir com ela, acordar com ela, sonhar com ela. Achei que conseguiria desligar, mesmo que por alguns instantes, o turbilhão de atividades, equipe, projetos, clientes, reuniões. Ah, as reuniões! De manhã, à tarde, à noite...ao meio dia, à meia-noite; De madrugada.

Meus pensamentos agora são em forma de contratos, propostas, projetos, apresentações... não mais de crônicas leves, engraçadas e com neologismos. Nem o twitter, pobrezinho, conseguiu lutar contra a pilha de retwittes corporativos.

Enfim, hoje que a empresária está meio de molho, a princesa dá as caras, mesmo que por alguns instantes, para reavivar o outro way of life da empresária, e lembrá-la de que a princesa (de all star, não de sapatilha!) está lá escondida, só esperando um momento de distração para se libertar.

sábado, 16 de abril de 2011

A journey to the end of my life

Sobre uma música, de mesmo nome.

I wanna take a journey to the end of my life
Because I just wanna see what it's like
Am I loved?
Am I hated?
In your face
Or understated
How old will I be when I die
Do I turn out alright

I just wanna see what goes on
The chance to put it right before it goes wrong
Certain things I say that I regret
And erase them all
Save my friends so they don't get hurt
Get the mustard stain off my favourite shirt
Have more vision than a crystal ball

Qual seria a graça de se fazer uma jornada para o fim da vida, só para ver como é? Iríamos voltar e consertar tudo, mas esta então, não seria nossa vida. Seria apenas a versão perfeita de como ela deveria ser. E, nós não seríamos quem somos. Seríamos uma versão chata e perfeita de nós mesmos.
Sorry All Star Weekend. Prefiro ficar sem uma previsão do futuro, and be surprised!

http://www.youtube.com/watch?v=Fhy_0cYYwhI

domingo, 3 de abril de 2011

Você acha que não tem mais solução?

*Ou aqueles panfletos que vocë recebe na Rua Felipe Schmidt

"REVELAMOS SEU FUTURO!

Ai que voce está enganado. Sou Babalorixá á 40 anos, Vidente, vejo tarô Oriental, Ciganos e Búzios, Diploma de Honra ao Mérito na casa Afro-Brasileira de Brasília. Presidente da Federação Umbandista do Estado de Santa Catarina. Diploma de Honra ao Mérito Corte Suprema da UBRACH, faço previsões para grandes revistas, Jornais e TV.
Antes de iniciar qualquer negócio, consulte..."

E ai, vai encarar?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cuidado com o Darth Vader

Estava eu, num daqueles dias típicos em que parece que nada diferente vai acontecer, a caminho da universidade...no ônibus UFSC semi direto.

Estou lá no meu mundinho, com o Ipod a toda, quando entra um Darth Vader no ônibus. No início, todo mundo olhou meio de surdina, com risinhos abafados. Eu o observei atentamente: capa, espada, capacete e sapato preto. Ou melhor, um all star preto. Nossa, até o Darth Vader usa all star..que tênis popular esse...os vilões, os heróis e as princesas gostam...

Quando ele foi passar pela catraca, não tinha créditos no cartão do passe. O cobrador riu, assim como o ônibus inteiro. "Como o Darth Vader, logo o Darth Vader, conquistador das galáxias mais longínquas, vai ser barrado logo na catraca do ônibus?" Ainda se fosse um ônibus espacial eu entenderia...

Sorte que um amigo bancou a passagem dele, mas seria extremamente cômico os outros estudantes fazerem uma vaquinha. "E ai cobrador, aceita passe do R.U? Vale R$1,50"

*Acho que qualquer dia, irei fazer o mesmo, mas vestida de Princesa Lea...

sábado, 19 de março de 2011

Filosofando por aí (de novo!)

Então...é isso.
Prometi-me que ia ter um blog. E que, diferentemente da maioria das pessoas, não iria abandoná-lo. Mas abandonei.

Isso foi uma resultante não desejada, mas que, como por vontade própria, aconteceu.Em primeiro lugar, fiquei bastante desmotivada em cronicar. Recebi críticas pesadas e passei a questionar meu estilo. Comecei a achar tudo que escrevia, desculpem o termo, uma merda. Não quis mais escrever. Até meu caderninho de anotações foi deixado de lado. Dediquei-me ultimamente ao texto de TV: curto, direto, sem floreios...Parei de pensar em forma de crônica, e isso tem me ajudado a ser objetiva, mas nem tão criativa. Talvez por isso tenho twittado tanto (140 caracteres requerem extrema objetividade!)

Mas algo aconteceu nos últimos dias. Durante uma aula de Redação VIII, mais especificamente. A minha paixão pelo jornalismo (e por escrever!) foi reacendida. Sai de lá empolgada, pensando em escrever grandes reportagens, jornalismo literário, livros, crônicas, roteiros de teatro, e até, por que não, novelas!

Enfim, senti a criatividade na minha vida novamente. Assim, preparem-se! Lu está de volta! anyway, para os que não conhecem ou preferem um pouco mais de objetividade, acompanhem o @luizafregapani